quinta-feira, outubro 02, 2003

A dialética Animus/Anima

A familiaridade com a sombra dá lugar a um enriquecimento do EGO, acoplando a energia vital que havia se centrado separadamente na PERSONA e na SOMBRA. Há que se recuperar, ao menos em parte, a energia da sombra. No caso do Animus/Anima, aqui entram em jogo os princípios de: DUALIDADE e ENANTIODROMIA.
A energia se experimenta e é experimentada como a sexulidade, ou seja, como energia dividida.
A sexualidade gobal se experimenta através de duas funções fundamentais: o ANIMUS - centro da atividade racional e a ANIMA - centro da percepção subjetiva e fonte de sentimento.
O homem com sua masculinidade induzida e reforçada socialmente é mais propenso a atuar através do Animus, relegando sua Anima para o 2º plano; enquanto a mulher, com sua feminilidade induzida e reforçada socialmente, tende a viver a vida mais em função da Anima que do Animus. Acontece o seguinte: a sexualidade do homem, como atitude diante da vida, unida ao Animus e sua contra-sexualidade na Anima.
Na mulher sua sexualidade está na Anima e sua contra-sexualidade está no Animus.
O pressuposto subjacente a esta forma de pensar sustentado por muito mitos do oriente e do ocidente, afirma que no princípio o Animus e a Anima era uma realidade interia, sem quebra, sem fracionar. Houve uma quebra dessa unidade, mas cada um em estado de necessidade mútua. O animus busca a Anima e a Anima busca o Animus.
Não é fácil traduzir estas idéias na vida prática. Um perigo óbvio é confundir o Animus com tudo o que é varonil, masculino e com os esteriótipos sociais associados com o machismo; ou confundir a Anima com tudo o que é feminino, delicado e sentimental.
Vamos dizer mais claramente:
O Animus atua com mais naturalidade através do pensamento dirigido, preciso, exato, exigente, frio e racional, enquanto que a Anima se manifesta mais adequadamente e de uma maneira mais idônea por meio do pensamento espontâneo, não dirigido. Animus e Anima
Todo ser humano necessita (homem e mulher) de ambos para viver uma vida completa e proveitosa. " O que necessita é de um casamento interior, em que a parte da sexualidade vivida e expressada e a parte contra-sexual não realizada se unem em uma união sagrada de amor e respeito mútuo".
O objetivo principal da relação animus/Anima é este reencontro no interior de cada um de nós, reconstruindo a unidade que misticamente existiu e que misticamente também se rompeu.
A conjunção (Mysterium Conjunctionis) é o reencontro destes polos da nossa personalidade no inconsciente de cada um de nós. É o passo mais decisivo para a unificação como experiência global do nosso ser.
É o caminho que nos leva a experimentar a tensão da sexualidade como experiência global e integrada da energia vital. É a aparição do EU COMPLETO como realidade já lograda, que de alguma maneira já se continha, já existia como esboço e projeto na experiência do EU PROFUNDO.
Deste EU PROFUNDO que sempre pulsa em nosso interior e guia à distância o processo do nosso desenvolvimento.

A eclosão do EU COMPLETO (SELF)
O crescimento do Animus e da Anima em nosso interior eleva a experiência psicológica de uma pessoa a um nível muio diferente do alcançado entre a Persona e a Sombra.
Um resultado desta elevação do nível Persona/Sombra a nível de Animus/Anima, afeta de uma maneira muitodireta o funcionamento do EGO.
Como expliquei antes, ao nível Persona/Sombra, o Ego tinha a função de coordenar conscientemente estes dois aspectos da personalidade, processando sempre mais recuperar mais e mais energia da sombra.
Uma vez dentro do reencontro do Animus/Anima, chegamos a um nível mais profundo e inconsciente, no qual o EGO executa só um papel muito secundário. Mais do que coordenador ativo, agora diríamos que sua função (a do ego) é puramente de intérprete para expressar conscientemente o processo e o drama que se vive de uma maneira inconsciente para além do seu controle e alcance. Se antes o EGO era o centro da persona e logo da relação Persona/Sombra, agora o Ego se vê realmente descentrado.
A conjunctio Animus Anima é um crescimento fecundo que dá à luz psicologicamente ao EU COMPLETO, o SELF, como novo centro da personalidade e como fonte primordial e integradora da energia vital de um indivíduo. Tudo se vê e se experimenta a partir de uma nova perspectiva. Os sucessos, as preocupações, as aspirações da vida diária talvez sejam os mesmos, porém tudo se experimenta qualitivamente de uma maneira diferente.

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